Um dia eu sentei nesta mesma cadeira para acessar a internet e... rrrrrsssssssh! Aqueles jeans skinny, que eu amava usar com botas de cano longo, aqueles em que eu me sentia sexy e poderosa, abriram nos fundos. Morri de vergonha de mim mesma! "Que bom que não tive testemunhas!", pensei. Nunca tinha me acontecido antes, claro! Eu nunca fui gorda.
Sou a mais velha dos quatro filhos de um casal que sempre vi gordinho e nunca fez nenhum exercício físico. Meu pai não era de se estranhar, pois sempre me lembro dos seus pratos como pequenas montanhas. Já minha mãe, surpreendentemente, sempre comeu pouco e me ensinou a gostar de quase tudo, principalmente saladas e legumes cozidos dos mais variados. Sempre tive quadris largos, herdados da mamãe, culotes e coxas grossas, mas... nunca fui gorda.
Em 1995, ao vir morar em São Paulo, comecei a engordar. De início, morei por um ano e meio com uma tia, que insistia para que eu comesse às 23h, ao chegar do trabalho, mesmo quando já havia jantado. Depois, comecei a namorar um gordinho e descobri os prazeres... da mesa. E eu que achava que comida fosse só pra me nutrir! Minha nova família tinha um encanto e classe que a minha nunca teve: sentarem-se todos à mesa, apreciar longamente uma refeição com várias etapas, com boa conversa e boa bebida. Sua irmã é chef de cozinha e especialista em confeitaria. Criativa ao inventar pratos sofisticados, acompanhados dos melhores vinhos, escolhidos a dedo por seu marido, ela adorava nos usar como cobaias para testar suas receitas e ficávamos muito honrados com os convites, obviamente! Sabe aquele ditado "filha de peixe, ...?" Apresento-lhes minha ex sogra: fã das receitas tradicionais, herdadas por gerações; tempero imbatível, ingredientes de primeira, requinte em servir, gosto por receber, dom de ensinar... As duas me fizeram aprender a apreciar bons pratos, a aguçar o paladar e a gostar de cozinhar e receber. As duas, magras.
Alguns anos de namoro, pouco sexo e muitos quilos depois, minha ex sogra me apresentou aos Vigilantes do Peso. Ela havia seguido o programa e me emprestou os livrinhos e, naquela época, a balancinha. Eu me lembro de comer muita abóbora e de achar um saco ter que pesar tudo, mas, com a ajuda dos Vigilantes e com umas 4 horas na academia por dia, entre musculação, esteira, natação e aulas de alongamento, eu emagreci uns 7kg. Meu professor da academia disse "olha, vou confessar que, quando você entrou, eu te achava gordinha". Meu irmão mais novo, um dia, me disse para eu parar a musculação, pois estava com pernas de jogador de futebol. Lembro-me de ter deixado de comprar um vestido por ter um recorte que mostrava minhas costelas. No entanto, eu me via como uma cintura fina e um par de culotes imensos. E, mesmo sabendo que eu estava muito mais gostosa, o sexo era cada vez menos frequente e eu, cada vez mais deprimida. Engordei novamente.
Mudei de academia, voltei para os Vigilantes, atingi minha meta, mudei-me para os EUA em 2003, onde morei um ano, pesando cada vez menos. Emagreci demais! Era muito frio, eu fazia musculação e nadava no YMCA, tinha uma vida ativa cuidando de duas meninas como au pair e pouco acesso à geladeira em uma casa que não era minha. Lá, eu fiquei reta, praticamente quadrada, sem curvas. Não gostava do meu corpo tão magro, nem me reconhecia no espelho, nem nas fotos, mas nunca fui tão feliz! Havia reencontrado a alegria de viver, havia me reencontrado e havia voltado a comer por necessidade, não por prazer.Terminado o ano de 2003, voltei para o Brasil e terminei o namoro.
Vim morar sozinha em 2005. Teria todos os motivos para me manter magra, já que eu era dona da minha cozinha e da minha vida. Mas morar sozinha me deixava solitária e eu comia, ou chamava os amigos para comer e beber comigo.
Em 2007 eu me apaixonei, desta vez por um magrinho. E gente apaixonada encontra uma motivação louca, não é?! Passei a frequentar uma academia perto do trabalho e, novamente, voltei para as reuniões dos Vigilantes do Peso. Emagreci uns 9kg. Nadava, fazia musculação e estava começando a correr. A academia estava perfeitamente integrada na minha rotina, assim como os bons hábitos alimentares. Foi quando veio o pé na bunda que mudou minha vida pra sempre. Nunca estive tão linda e tão triste ao mesmo tempo!
Em 2009, fiz o Leader Training. O treinamento transformou minha vida. Dentre muitas coisas importantes, aprendi a traçar metas. Ainda em 2009, decidi fazer um curso na minha área que me forçava a estudar em todo o tempo livre: fins de semana e, durante a semana, os horários da academia. Minha vida profissional mudou da água para o vinho nesses últimos anos. Com ela, mudou também do vinho para a água o meu corpo.
Final de 2011. Finalmente acordo! Três anos e meio, um pé na bunda, uma "demoção" e 13 quilos depois, cá estou eu, finalmente disposta a olhar para mim e, desta vez, a não culpar mais ninguém pelo meu excesso de peso. Mais que isso, com a melhor motivação do mundo: pela primeira vez na minha vida, eu vou emagrecer por mim mesma. Porque eu me amo e mereço me tratar bem!
Oi Julinha,
ResponderExcluirquerida, lendo seus posts eu me vi. Mesma coisa, só que em enderecos diferentes! To fazendo a mesma coisa agora! No fim do mes te digo se consegui tb :)
bjs