terça-feira, 8 de novembro de 2011

O doloroso cair das fichas

Lembram da história do jeans partido? E a do coração partido? Pois é! Ambas há uns três anos, três anos e pouco. Como alguém pode levar tanto tempo para se recuperar de um pé na bunda?! E como alguém pode levar tanto tempo para retomar as rédeas de sua vida?!

Numa noite dessas, eu estava conversando com amigos numa mesa de bar e falávamos de cabelos. Uma das meninas tem cabelos curtos lindos e eu não consigo imaginá-la de cabelos compridos. Passaram a discutir se eu fico melhor com os atuais curtos e, como são amigos de curta data, não haviam me visto com os longos. Recorrendo à modernidade à mão, acessei o Facebook pelo celular e mostrei-lhes as fotos dos cabelos compridos. E fiquei olhando para aquelas fotos e aqueles cabelos. Eram da minha fase "nunca estive tão linda e tão triste". Quem era aquela menina? Quem era esta?! Pessoas completamente diferentes! Quem era a triste?! O que foi que eu fiz comigo mesma?!

Fiz uma tatuagem num dia em que queria uma dor maior do que a que eu sentia, tentando provar pra mim mesma que eu era forte e que suportaria. Cortei os cabelos, tentando cortar o sofrimento. Escondi-me, mais uma vez, sob uma capa de gordura, para afastar novos relacionamentos, para os quais não estava pronta. E pensava: "Estou cansada de caras lindos que só querem me comer! Vou encontrar um cara legal que vai gostar de mim como eu sou!". E eu mesma me amava e me aceitava cada vez menos.

Quando eu me achei completamente curada do coração partido, saía há alguns meses com um amigo de uma grande amiga e a coisa se encaminhava para um namoro, quando, de repente, ele meio que surtou e não nos vimos mais. Um tempo depois, numa tentativa minha de ficarmos amigos, ele me manda a seguinte mensagem: "você não passa de uma gorda chata e infeliz". Ele poderia ter dito qualquer outra coisa e provavelmente não me incomodaria tanto. Mas... gorda?! Eu?! Passei alguns dias pensando nisso. Depois passou.

Depois de ter passado por várias academias e ter retomado várias vezes o meu programa de reeducação alimentar, desde a balancinha até as mais recentes versões dos PontosFlex dos Vigilantes do Peso, por três vezes atingindo minha meta, eu me achava uma expert no assunto e pensava "eu sei exatamente o que fazer para emagrecer!". Ou "já deu certo outras vezes, basta eu querer!". Ou ainda: "estou num momento atribulado agora, mas logo me organizo e volto pra academia - que já está paga, inclusive!". Exatamente: basta eu querer! E eu acho que não queria o suficiente.

Pergunte para uma mulher o que ela mais quer na vida. Duvido que, dentre as cinco primeiras respostas, uma não tenha a ver com "ser/voltar a ser/permanecer magra"! Entre querer da boca pra fora e querer controlar o que vai da boca pra dentro, há uma grande diferença. Querer planejar-se, dispor-se a encarar aprendizagem, mudanças de hábito e rotina e abrir mão de certas coisas para que isso aconteça, são outros quinhentos. Ah, claro, sem falar no fato de que eu nunca fui gorda, que vocês se lembram de eu ter mencionado no post anterior, certo? Daí entra a coragem de olhar sinceramente para si mesmo, de fora pra dentro e de dentro pra fora.

Uma ou duas semanas depois, a Julinha me liga num domingo, toda empolgada, me contando que se propôs um desafio de doze semanas, me falando de um livro que ela tinha comprado e tal. E eu dando o maior apoio para que ela fizesse o desafio e emagrecesse. Ela então me lança a pergunta: "topa fazer comigo?" Pensei: "putz, vou fazer pela Julinha!". Ao dizer "eu topo!", no entanto, eu percebi que estava sendo sincera e que tudo fazia muito sentido: tive 3x 12 meses para tomar essa atitude e não tomei. Agora, me restavam 12 semanas para o Natal. 2012 chegando... e eu 12kg acima do que gostaria. Em 12 semanas, traçando uma meta realista para minha média de emagrecimento nos Vigilantes, eu poderia eliminar metade do que preciso, ou mais, dependendo da disciplina.

A Julia, então, me falou das "regras" do desafio (que você vai encontrar no segundo post do blog). Ok, quase tudo ok. Voltei pra academia e a avaliação física cuidou dessa parte de pesos e medidas. Mais de três dias depois e a Julia pergunta:
"E a foto?"
"Putz, é mesmo. A foto!" "Ah, Julinha, não tem quem tire pra mim uma foto de biquíni de frente, de costas e de lado, né?"
"Põe no timer!"
"Fodeu! Não tenho mais desculpas pra não tirar a porra da foto!", pensei. E lá fui eu pagar o mico do século!

Olhei bem pra aquela cabeça de cabelos curtos, sobre tronco e peitos pequenos, que obviamente foram cortados pelo criador do Frankenstein e colados com uma bunda enorme sobre culotes gigantes, domados pela celulite e pela flacidez. E essa barriga que nunca existiu?! Daí eu me lembrei do livro da sombra. E me lembrei de que, se continuasse a fechar os olhos, a sombra venceria. Então eu olhei nos olhos daquela mulher da foto. E enxerguei a criança que mora nela. E a abracei com todo o meu amor. E a aceitei como ela estava. E me lembrei de como ela foi e de tudo o que ela quer ser. Nós nos demos as mãos e, juntas, mais fortes, lembramos que temos a Julinha Barreiro ao nosso lado, caso a gente precise de uma amiga nas horas difíceis. E isso faz cinco semanas e três quilos.

Pra fechar, eu quero dizer que eu admiro demais a Julia. Porque ela traça metas como ninguém e as cumpre. Tenho muito orgulho dela e fico feliz demais por tê-la levado ao Leader Training e ser sua madrinha. Se bem que isso hoje em dia meio que se mistura: ela cuida de mim quando esqueço de onde vim e pra onde quero ir. E sou muito grata por ela ter sutilmente me dito o que eu precisava ouvir. E por me amar tanto a ponto de me convidar para emagrecer com ela. Sim, porque tem que ser muito amiga pra te querer magra! Imagine se mulher quer competição de mais mulher gostosa nesse mundo, né?!

2 comentários:

  1. Olá Carina, muito legal essa iniciativa! tô quase me juntando a vocês! heheheh

    Beijoo

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  2. Querida Rebecca, você será muito bem-vinda quando quiser se juntar a nós! Beijos e obrigada pela visita.

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