Insatisfação, baixa auto-estima, insegurança, sentimento de fracasso...
Quem olha pra mim nem imagina que, por detrás de um sorriso largo, energia positiva e uma risada gostosa, escondo sentimentos sombrios, pensamentos que me perturbam e me causam tormento. Permitam-me que eu me apresente:
Sou Julia dos Santos Barreiro. Tenho 25 anos, sou formada em Letras pela USP e sou professora de inglês. Paulistana, vivi minha adolescência em Santos, e voltei a São Paulo para estudar. Sou filha adotiva de uma família linda, tenho duas irmãs (sou a filha do meio), pais casados há mais de 35 anos, e tios, primos e avós que agradeço diariamente por serem parte da minha vida. Moro com minha irmã mais nova em um apartamento em São Paulo, trabalho em duas boas escolas de inglês, tenho alunos agradáveis, amigos próximos e conheço muitas pessoas que fazem da minha vida uma jornada agradável e cheia de aventuras.
Aparentemente, não tenho nada do que reclamar (a não ser a solteirice que me assombra há uns bons anos).
Os sentimentos sombrios a que me refiri se esconderam durante toda a minha vida por detrás de bochechas fofas e barriga sobresaliente. Sempre tive excesso de peso, e sempre considerei que a causa disso fosse o meu prazer fora do comum por comer.
O que eu só fui descobrir depois que entrei na Meta Real ®, no primeiro semestre de 2008, foi que a minha obesidade (na época pesava 84 quilos, para meus 1,74 de altura) não era o problema, e sim o sintoma de que alguma coisa dentro de mim não estava nos conformes.
Esse grupo de reabilitação alimentar, que definitivamente mudou minha vida, foi o pontapé inicial para eu entrar num processo de autoconhecimento, no qual atualmente estou muito envolvida. Emagreci horrores, cheguei a pesar 68 quilos. A façanha não foi nada de outro mundo: o Meta me ensinou a olhar para dentro de mim, a comer balanceadamente e enxergar a comida como ela é: essencial para me nutrir. Mudei meus hábitos alimentares, comecei a correr e atingi objetivos que eu nunca pensei conseguir.
Aconteceu que, apenas 4 quilos distante de atingir minha meta, quando eu exibia um corpo saudável e manequim 40, pernas torneadas e uma postura elegante, tudo começou a mudar. O primeiro problema foi o modo como eu me enxergava. Embora eu visse na balança um peso, me enxergava de outra forma. Meu abdome era flácido e eu não me enxergava magra. As pessoas que me conheceram nessa época nem podiam acreditar que eu um dia já havia estado acima do peso, mas eu ainda me via como a gordinha simpática de mais de 80 kg.
O segundo problema foi o ano de 2010, possivelmente o ano mais sofrido pra mim, e, por outro lado, um ano de muitas descobertas.
Um sofrimento profundo tomou conta de mim por problemas pessoais, e eu me vi engordando, afogando minhas mágoas em chocolate quente, torta de frango e pão de queijo. Parei de treinar, passava semanas sem comer um prato de comida balanceado, e vivia me odiando, me julgando, me criticando. Eu não me deixava em paz. Não entrei em depressão, mas vivi, durante 4 meses, num estado de tristeza profunda. Engordei tanto que até parei de me pesar.
Foi aí que percebi que o buraco era mais embaixo. Eu já havia provado para mim mesma que podia emagrecer. Já tinha aprendido a me observar e perceber os motivos pelos quais eu recorria à comida. Eu me observava, mas não conseguia me controlar. E dá-lhe chocolate.
Parei de freqüentar o Meta, pois respeito muito os ensinamentos do programa, e não estava comprometida com meu emagrecimento. Depois de alguns meses, me abandonei por completo. Cheguei a ponto de só me olhar no espelho para ajeitar o cabelo, fugir de fotos e até deixar de sair por não me sentir confortável nas roupas que eu usava.
Em setembro do ano passado passei a freqüentar o Mecura, um instituto de mediação de cura, que nada tem a ver com emagrecimento. Eu precisava de ajuda pra lidar com o sofrimento pelo qual eu estava passando. Lá eu dei início a um trabalho de desenvolvimento espiritual e de autoconhecimento, ao qual eu sou dedicada até hoje.
Considero-me uma pessoa de sorte por ter excesso de peso. Se eu tivesse sido magra minha vida inteira, provavelmente não teria conhecido o Meta nem o Mecura, e seria alienada de mim. Talvez não me preocupasse tanto com a minha saúde, não comesse bem nem me conhecesse tão bem quanto me conheço hoje.
Hoje tenho comigo tudo o que preciso para vencer o desafio que me propus a superar: Conhecimento de como me alimentar adequadamente, sem dietas, adquirido pelo tempo que freqüentei o Meta Real®, saúde, disposição e tempo para me dedicar à práticas esportivas que me agradam (bicicleta, caminhada, corrida e musculação), trabalho constante de autoconhecimento e autodesenvolvimento e, claro, uma grande amiga, Carina Alves, para me apoiar e seguir comigo, de mãos dadas, na superação desse desafio que seguramente mudará nossas vidas e nos ensinará muito sobre nós mesmas.
Adorei o Blog e vou acompanhar vocês. Boa sorte, amigas!
ResponderExcluirAngie